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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O velho menino Francisco

Chico é o nome do mais novo cd do Chico Buarque. Na minha opinião, melhor disco, desde Paratodos, de 1993.
Neste, as 10 faixas tem uma característica em comum: é o trabalho mais romântico de Chico desde os LPs da década de 1960. Além do mais, a referência às suas obras anteriores, mostra um artista maduro, consciente de tudo o que produziu e, ao mesmo tempo, pronto para novas incursões.
E para quem costumava dizer que Chico era um bom letrista, mas não um bom músico, esse disco é a expressa comprovação de que o artista é um músico completo: blues, valsa, samba, baião (ou tipo um), são apresentados lindamente, com surpresas melódicas e harmônicas, assim como arranjos esmerados do maestro Luiz Claudio Ramos.
Nos próximos dias, vou comentar aqui as 10 faixas, começando por Tipo um baião.
Nesta canção, Chico brinca com a linguagem moderna coloquial, traz dois ritmos diferentes e misturados, resgata um prato tocado em um tempo contratempo e faz uma homenagem ao rei do baião, Luis Gonzaga.
Um resgate: o coro feminino, presente nos primeiros discos. Excelente.
Vejam o clipe:




domingo, 31 de julho de 2011

Chico Buarque

Saiu o novo disco de Chico pela Biscoito Fino. Antes do dia 20 de julho, pudemos saborear, via internet, pequenos pedaços do novo trabalho do compositor. O cd se chama Chico e traz 10 canções inéditas, incluindo a quase inédita Se eu soubesse, que Thaís Gulin já tinha gravado em seu disco meses antes.
Chico é um disco interessante: como disse Luís Fernando Veríssimo, algumas músicas arrebatam na hora, outras você tem que ouvir mais de duas vezes... de qualquer maneira, a primeira música a me arrebatar foi mesmo Se eu soubesse, pelo lirismo,pelo romantismo, pelo dueto, pela magia e pelo Se... mais um tema sobre o tempo que o Chico retorna...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Voltando

Parei de escrever sobre House aqui no blog.
Quero falar um pouco de música brasileira. E vamos às novidades:
  • Chegou nas lojas o novo disco de Thais Gulin: um antissamba enredo e um dueto com Chico Buarque em Se eu soubesse.... muito lindo.
  • Edu Lobo vai apresentar o Grande Circo Místico, dia 26 no IMS. Os ingressos esgotaram em 20 minutos e, é claro, não consegui.
  • O Grande Circo Místico para mim é o melhor disco de todos os tempos da música brasileira.
  • Quando as cinebiografias ou docudramas sobre os artistas da MPB vão ser bons: adorei Vinícius, mas tá difícil de gostar de outros: Noel, Paulinho, Elza, Cartola... ai, não gostei de nenhum desses. Agora tem o filme da Nana para conferir. Não sei não.
  • Olhos nus olhos, conto de Mia Couto baseado na canção quase homônima do Chico . Comprei o livro, mas achei o conto na internet. Vale muito a pena.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O dia em que Paris afundou nas águas...

parisÁgua por todos os lados, esgotos transbordando, túneis submersos, pânico, pessoas perdidas nas ruas, polícia ajudando, bombeiros salvando, barcos de resgate… Não, não estamos falando de São Paulo , ou do Rio da semana passada, ou de Belo Horizonte, mas de Paris. Isso mesmo, há 100 anos, Paris conheceu uma das maiores inundações de sua história. O Rio Sena, o belo Sena, invadiu a cidade atingindo 20 metros acima do seu nível normal. Em 28 de janeiro de 1910 Paris parou, e literalmente afundou.
Depois de uma chuva intensa durante quase todo o mês, a capital francesa foi saturada pelo Sena e simplesmente imergiu como não se via desde o ano de 1650. Segundo dados da época, a força das águas subterrâneas destruiu mais de 20 mil edifícios deixando mais de 200 mil parisienses sem teto.
A eletricidade (nova na época) desapareceu, os túneis do metrô (novos para a época) foram inundados e a cidade ficou em ruínas, mesmo depois de semanas do dilúvio de 28 de janeiro. Tudo começou em 20 de janeiro, quando a navegação no rio foi interrompida. No sábado, 22, o metrô foi inundado e dois dias depois o nível das águas chega a mais de 7 metros . Na noite de 24, usinas químicas em Ivry explodem em contato com as águas, e em 25 de janeiro todas as bombas de água do rio estão completamente paralisadas. Só em 2 de fevereiro a praça Palais Bourbon conseguiu emergir. A inundação durou 45 dias e os prejuízos superaram 400 milhões de francos (algo perto de 1,5 bilhão de dólares em moeda recente).
Por ocasião do centésimo aniversário do dilúvio, o escritor e professor Jeffrey H. Jackson capturou, pela primeira vez, o drama dos acontecimentos daquele 28 de janeiro. Recém-lançada, a obra “Paris Under Water: How The City Of Light Survived The Great Flood Of 1910” narra uma das mais brutais lutas de uma cidade contra a natureza das chuvas. Quem gosta de Paris não pode deixar de ver as fotos da época (clique aqui). Cem anos depois, Paris aprendeu e nunca mais passou por algo perto do que ocorreu. E nós, aprendemos com nossos dilúvios diários?
paris-inundada2

quarta-feira, 26 de maio de 2010

REGULADOR GESTEIRA


O anúncio mais engraçado que já vi. Revista O Malho, de 1922.
Um amigo médico disse que esse anúncio é a cara dos anúncios dessa época. Ele me disse também que
só depois da II Guerra Mundial apareceram antibióticos, corticóides (cortisona) , diazepínicos (Valium, Rivotril, Lexotan, etc), a insulina foi lançada no mercado em 1922, a teoria do stress é criada por Selye em 1936, mais especificamente ligados ao txt d'O Malho, entre os hormônios sexuais, o estrogênio foi isolado em 1929, a progesterona e a testosterona em 1934.
Esse anúncio ainda estava dissociado do saber médico. Lembro-me dos filmes dos três patetas em que eles forjavam elixires para dor de barriga e para crescer cabelo.
Outra coisa interessante nesse anúncio: o útero da mulher não estava bem estudado. Muitas doenças aí são inexistentes e as associações com o resto do corpo são, no mínino, criativas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Um novo projeto fotográfico

A partir dessa semana vou retomar a fotografia. Decidi fazer o que gosto e ser mais autoral. vou fotografar cúpulas de monumentos, edifícios e Igrejas. O resultado, postarei aqui. Acho que vai ser um projeto interessante.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Visitas virtuais

Se não puder sair viajando, ou para lembrar, ou para conhecer, ou para estudar. Sempre vale a pena conhecer o mundo...

Santo Sepulcro, em Jerusalém

Museu do Louvre, em Paris

National Galery of Art, Estados Unidos.

Visitas a vários pontos culturais e turísticos de Portugal.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ainda, as mídias sociais

Voltando ao tema mídias sociais, não vou aqui filosofar sobre artistas, temas ou de como os sites de relacionamento são ferramentas culturais, comerciais, financeiras etc.
Deixo aqui a dica:

Começou nesta segunda-feira (12) a transmissão de uma peça improvisada do clássico Romeu e Julieta pelo Twitter. A encenação é feita por seis atores do Royal Shakespeare Company, da Grã-Bretanha. Por meio de seus perfis na rede social, eles contam seu dia-a-dia como se fossem os próprios personagens do título de William Shakespeare. Na página de Julieta, por exemplo, referida como @julietcap16, os seguidores a acompanharão se preparando para ir à escola ou na organização de uma festa.


domingo, 25 de abril de 2010

Música, Cinema, História, Literatura e banalidades.: João Gilberto

Dois ótimo artigos:
Música, Cinema, História, Literatura e banalidades.: João Gilberto

os artistas e as mídias sociais


Definitivamente, hoje, se é verdade que João Gilberto está no facebook, conforme noticiou o Globo (25/04), então, hoje é dia de mudança de paradigma.
As mídias sociais servem para que? Compartilhar informações sobre vida profissional e pessoal? Troca de opiniões, gostos e experiências? Conectar amigos há muito distantes?
João Gilberto, o artista recluso, o homem que mal anuncia os seus shows, está no facebook. Há tempos, eu soube que ele se interessou pelo orkut quando viu uma comunidade dedicada a ele e que acabou se tranformando num ótimo banco de dados musical. Depois eu soube que ele queria ter computador e se conectar. Depois, não soube mais nada. Hoje eu soube do facebook. Tem coisas que batem, tem coisas que não. Se for verdade, alguém está fazendo para ele. Se nao for, é alguém que também o conhece intimamente. Há informações pessoais lá.
Quem diria, o nosso artista mais recluso, o nosso gênio mundial, a um click de distância. João, fique conosco e compartilhe sua musicalidade.
Viva João, viva a música brasileira.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Chico e o tempo de Chico

“Hoje preciso refletir um pouco”: ser social e tempo histórico na obra de Chico Buarque de Hollanda 1971/1978

Este artigo analisa a relação entre o ser social e o tempo histórico em cinco canções compostas por Chico Buarque de Hollanda durante os anos 70, em plena vigência do regime militar no Brasil. Nossa perspectiva é a de que a obra deste compositor revela uma singular articulação entre aquelas duas categorias, expressando várias formas de consciência crítica em relação à experiência da opressão e do esvaziamento do espaço público. Procuramos demonstrar, a partir dos exemplos musicais propostos, que Chico Buarque fez da relação tensa entre ser e tempo num contexto autoritário, a base de sua matéria poética e, desta forma, imprimiu um sentido político sui-generis para a sua obra, indo além dos limites da canção de protesto tradicional.

This article analyses the connection between social being and historical experience focusing five songs composed by Chico Buarque de Hollanda in the 1970s, during Brazilian military regime. I argue that the songs of Chico Buarque express many forms of critical conscience about authoritarian experience and the closing of public sphere. In my point of view, Chico’s poetical matter is precisely the tension relationship of being and time and, in that sense, overcame the traditional subjects of the protest songs.

(Marcos Napolitano, 2008)

Leia o artigo completo



Cidade Submersa

Com a tragédia marcada pelas chuvas do Rio, nada mais me resta a dizer. De qualquer forma, o Chico já disse tudo. Veja o lindo clip também que mostra o Rio de Janeiro. Em tempo: como alguém pode colocar a palavra ESCAFANDRISTA numa letra de música e dar métrica, melodia, ficar perfeito?
Assista o vídeo


Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

(Futuros Amantes)

domingo, 14 de março de 2010

Entrevista ao Jornal da Pampulha - 12 de fevereiro de 2010 - Noel e Adoniran - 100 anos


Aos "cem anos", Adoniran dá "frechada" até no Twitter

O olhar de cronista para a realidade paulistana, a fala propositalmente errada, o chapéu, o terno e a gravata borboleta. A figura criada por João Rubinato, nome verdadeiro de Adoniran Barbosa, também chega aos cem anos em 2010.

Responsável por dar forma ao que se chama hoje de "samba paulista", Adoniran tem seu centenário lembrado em shows que vêm ocorrendo em São Paulo desde o início do ano, mas está fora dos enredos das escolas paulistas.

"Apesar de ser um compositor profícuo, o peso do reconhecimento de Adoniran ainda não é o mesmo de Noel, por exemplo", afirma a historiadora Maria Clara Wasserman, especialista em história da música popular.

De acordo com ela, essa diferença é fruto de circunstâncias históricas. "Nos anos 1950 houve um movimento liderado por intelectuais para resgatar o que eles chamavam de verdadeiro samba. É nesse momento que eles vão dar esse título de gênio ao Noel. O nome do Adoniran não sofreu esse resgate", explica.

Mas esse fato não enfraquece as homenagens ao sambista. O compositor Dudu Nicácio, do projeto Dois do Samba, compôs em parceria com o diretor de teatro Fernando Limoeiro sambas inspirados no universo poético de Adoniran, batizados de "adoniranas" e ainda inéditos. "Devo lançar o disco mais para frente, mas, em função do centenário, devo fazer um show com esse repertório", adianta.

A manutenção da memória do compositor se estende à internet, no burburinho virtual do Twitter - rede de troca de mensagens. Dois perfis que levam o nome do sambista (@adoniranvive e @adoniranoficial) enviam diariamente mensagens como se fossem Adoniran. O jornalista Daniel Barbosa, 29, morador da capital paulista, é o nome por trás do segundo perfil.

Fã declarado de Adoniran, ele criou o perfil para divulgar a obra do ídolo e encara com respeito a tarefa de assumir a voz do sambista na internet. "Brinco um pouco com a linguagem, que era uma das características do Adoniran, mas procuro não exagerar; corro o risco de descaracterizá-lo. Afinal, ninguém tem a aura humorística do ‘pitoresco’ Adoniran". Segundo o jornalista, Adoniran está mais vivo do que nunca num dos sites de maior sucesso no momento. "Todos os dias alguém fala algo sobre ele ou sobre uma música dele no Twitter", afirma. (PB)

Cinema cinema cinema

Eu vi os filmes. Caché, juntamente com A Fita Branca e A professora de piano, fazem uma espécie de Trilogia da Maldade. Os filmes são muito fortes, com finais abruptos e completamente inesperados. Dos três, prefiro A Fita Branca, acho mais resolvido em termo de roteiro e direção. Imperdível.
A Escolha de Sofia foi mais triste do que eu esperava. Achei a adaptação excelente e a interpretação da Meryl Streep, como sempre, maravilhosa. O filme incomoda o tempo todo e é cheio das perversidades e dos desvios humanos. Fim de semana triste esse.


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Como é que a pessoa se torna cinéfila? Gosto de cinema, mas não sou, não entendo o suficiente de enquadramentos e roteiros e também não vi todos os grandes clássicos.
Minha missão: ver tudo.
Ontem, na locadora, peguei Caché, o Sorriso de Monalisa e A Escolha de Sofia. Apesar de Amar a Meryl Streep, ainda não vi esse. Pretendo aqui comentar tudo da melhor maneira possível.

domingo, 3 de maio de 2009

Paris













Talvez seja possível ser infeliz em Paris. Não sei. Para mim não foi possível ficar minimamente triste.
Flanei pela cidade, vi os cafés, os monumentos, as igrejas antigas. Bebi vinho e o café espresso mais gostoso do mundo. Comi framboesa e baguetes. Fui em bistrots, brasseries e restaurants.
Seguem os álbuns de Paris:

Esse é o primeiro.


E esse é o segundo

sábado, 4 de abril de 2009

Leite Derramado

Leite Derramado: Obra Prima de Chico Buarque

quarta-feira, 4 de março de 2009

Dr. House - Everybody lies





House MD. Uma das séries mais inteligentes que já passaram pelo mundo do entretenimento. A história de um médico obsessivo, anti-herói, que ultrapassa os limites da ética para tratar os pacientes. Ele sente dor crônica, dor que virou psicológica e da qual já não quer se livrar. Acredita que a dor o faz um médico melhor. É viciado em analgésicos e toma a droga que lhe cair em mãos.
Mas o que a série tem de tão especial? É instigante, reflexiva, inteligente e muito bem estruturada. A história de cada paciente corre em paralelo com a história pessoal da equipe médica.
E no caso do protagonista, a obsessão pela lógica o faz, quase sempre, desistir de se parecer com um ser humano para encontrar o diagnóstico. Atenção: esse quase é fundamental, pois quando House se preocupa, se importa, a série dá uma guinada toda especial.
E a série tem, ao fim e ao cabo, pressupostos nada otimistas em relação à modernidade e ao comportamento humano. Vemos os pacientes mentirem e nos deparamos com o nosso próprio comportamento diante de quem precisa devassar a nossa vida. House parece ser o único lúcido nessa civilização controversa. Ele sabe das coisas... por isso gosto tanto da série.

Algumas frases de Gregory House:


Pessoas não mudam.

Todo mundo mente.

Somos animais egoístas, desprezíveis rastejando pela terra, e porque
temos cérebros, se tentarmos... com muito esforço ocasionalmente
podemos aspirar alguma coisa que não seja puro mal.

Se você fala com Deus, você é religioso. Se Deus fala com você, é psicótico.



Aqui, nessa série de links sobre Dr. House, você poderá conhecer mais sobre a série.

Site da Universal Channel

Download dos episódios das cinco temporadas.


Guia de episódios

Site da Fox (inglês)

Comunidade do orkut

House Brasil


Fiz um vídeo com fotos do Hugh:

http://www.youtube.com/watch?v=j039vSuFqh4


video

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

DECADÊNCIA

Um novo artigo meu sobre a música brasileira nos anos 50, publicado pelo site do Laboratório de Estudos do Tempo Presente, da UFRJ.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Chico Buarque

"O velho cantor subindo aos palcos, apenas abre a voz e o tempo canta"


Em algumas de suas canções, a relação com o tempo está imersa em preocupações com a passagem deste amigo/inimigo que traz sabedoria e também maltrata o corpo e a alma.
A passagem da idade e a morte estão presentes em canções como O Velho, O Velho Francisco e Tempo e Artista. Nesta última, personifica em seu próprio canto a imagem do cansaço da vida, da emoção e da plenitude atingida com sua arte.
Chorei quando a ouvi pela primeira vez. Parecia uma despedida de alguém com consciência do seu legado.

Imagino o artista num anfiteatro
Onde o tempo é a grande estrela
Vejo o tempo obrar a sua arte
Tendo o mesmo artista como tela

Modelando o artista ao seu feitio
O tempo, com seu lápis impreciso
Põe-lhe rugas ao redor da boca
Como contrapesos de um sorriso

Já vestindo a pele do artista
O tempo arrebata-lhe a garganta
O velho cantor subindo ao palco
Apenas abre a voz, e o tempo canta

Dança o tempo sem cessar, montando
O dorso do exausto bailarino
Trêmulo, o ator recita um drama
Que ainda está por ser escrito

No anfiteatro, sob o céu de estrelas
Um concerto eu imagino
Onde, num relance, o tempo alcance a glória
E o artista, o infinito

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Cursos para professores

Para saber mais sobre curso de formação de professores, contate-me:
(Cursos como esses já foram ministrados em Fortaleza, Belém, Curitiba, Salvador e Rio de Janeiro).

Cursos:

Como usar a música popular brasileira na sala de aula.

História e Literatura: mediações de leitura e estudo do meio.

História Social da Música Popular Brasileira.

terça-feira, 22 de abril de 2008

João Gilberto

Mais uma efeméride: faz 50 anos que João Gilberto gravou o seu 78 rpm com as canções Chega de Saudade e Bim Bom. Um pequeno disco causou uma grande revolução musical. Muita gente tentou e está tentando ter participação, comemorando 50 anos de um movimento que, no mínimo, devemos questionar.
E é bom lembrar que, sobre o assunto, temos histórias, crônicas e memórias, mas não historiografia.

Em 2001 saiu um caderno especial do JB que vale a pena conferir. vou colocar aqui dois links que acho os mais importantes. Clicando neles, outros bons artigos serão encontrados.
  • A Grande Síntese : A evolução de um artista é um contínuo auto-sacrifício, uma contínua extinção da personalidade.t.s. elliot - Tradição e talento individual

segunda-feira, 21 de abril de 2008

1968


Fonte: Veja melhor clicando aqui

1968 - A imaginação tomou o poder


Ainda não houve um ano como aquele. De janeiro a dezembro, no Brasil e no mundo.

No Brasil, passeatas estudantis protestavam contra a Ditadura; Caetano e Gil capitaneavam o Movimento Tropicalista; os Beatles lançavam o revolucionário Sargent Peper's, os estudantes franceses tomavam as ruas de Paris em Maio de 68; Martin Luther King e Bob Kennedy foram assassinados; Janis Joplin e Jimmy Rendrix tornaram-se símbolos da juventude; nos Estados Unidos acontecia o festival de Woodstock; a Guerra do Vietnã começava a se intensificar; os tanques russos invadiam a Tchecoslováquia na Primavera de Praga, os militares decretavam o pior dos atos institucionais no Brasil: o AI-5.
Para saber mais leia a boa reportagem da Revista Época

domingo, 13 de abril de 2008

Entrevista Jornal O Povo

Tradição de cortejo

O Povo, Fortaleza, 20/04/2007

FOTO DIVULGAÇÃO/ PATRÍCIA CECATTI
FOTO DIVULGAÇÃO/ PATRÍCIA CECATTI
A música, para ele, talvez já estivesse nos balões de junho, no canto da lavadeira, no futebol de rua. Mas ele só puxou-a do mundo e deu-lhe rosto, nome e forma no primeiro álbum: Chico Buarque de Hollanda (1965). Entre o fraseado e a repetição de Pedro Pedreiro, o saudosismo e a expectativa de Olê, Olá e a angústia e a ironia de Ela e Sua Janela, estavam a alegria e a ingenuidade de A Banda. Ao lado de Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, a canção foi vencedora do II Festival de Música Popular Brasileira de 1966, promovido pela Record. Foi o suficiente para que a música vendesse mais de 100 mil cópias em uma semana. Ganhou crônica entusiasmada de Carlos Drummond de Andrade: "A felicidade geral com que foi recebida a passagem dessa banda tão simples, tão brasileira e tão antiga na sua tradição lírica, dá bem a idéia de como andávamos precisando de amor".

Por ter se transformado, ele próprio, em um dos símbolos de resistência à Ditadura Militar, Chico Buarque tem quase toda a sua obra posta no saco preto da "canção de protesto". Mas não é bem assim. Para Maria Clara Wasserman, mestre em História Social pela Universidade Federal do Paraná, a politização de sua obra só ocorreria depois do AI-5. Em A Banda, encontra-se um protesto de outra natureza: a busca da felicidade e da transformação pessoal e social. A triste rotina de um povo é quebrada pela presença da música, que traz uma felicidade efêmera. "Alguns estudiosos entenderam a banda que passa como um corpo revolucionário, capaz de transformar uma população de seu estado amorfo. Na minha opinião, porém, a música é muito mais lírica do que política", afirma. A cantora Fátima Santos concorda: "Quando canto, o que visualizo é o que ele pede na letra. Eu não vejo nada de político. Vejo a história da banda, da praça, de quando a banda passar as pessoas ficarem mais alegres".

http://www.opovo.com.br/opovo/guiavidaearte/688048.html

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Localizei canções inéditas do Chico

Localizei no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, enquanto pesquisava arquivos sobre a Censura, letras inéditas do Chico, do começo da década de 70. Ele enviou ao Departamento de Censura para tentar desfocar sua obra de canções mais engajadas. Elas foram liberadas, mas Chico desistiu de gravá-las e permanecem inéditas..

Um exemplo: Você não entendeu/ que o amor dessa menina/ é a chama que ilumina a minha solidão/ meu amor por ela é uma cidadela/ construída com paz e compreensão''

Leia a Reportagem completa no JB

Chico Buarque e a censura

Meu artigo, publicado no Jornal do Brasil em 12 de junho de 2004. Ocasião dos 60 anos de Chico. Não fui eu quem criei o título e subtítulo (que achei horríveis).

Censores, os inimigos da arte.

Discurso do senador Pedro Simon sobre os 60 anos de Chico Buarque. Entre outros, ele analisa meu artigo sobre a censura.

Como trabalhar música em sala de aula

Sou autora dos suplementos pedagógicos da Coleção Mestres da Música no Brasil da Editora Moderna.
Clique nos links e conheça o trabalho:

Adoniran Barbosa

Cartola

Chico Buarque

Chiquinha Gonzaga

Caetano Veloso

Gilberto Gil


Paulinho da Viola

Villa-Lobos


Fora esses, existem outros não disponibilizados on line: Pixinguinha, Ary Barroso, Braguinha e Noel, este no prelo.

Sites que eu recomendo.

Sou também FOTÓGRAFA. Desenvolvi um outro blog só para falar desse tema. Entre lá: www.clarafotografia.blogspot.com


Altafidelidade
, destinado à pesquisa acadêmica em música popular brasileira. Seu coordenador é Marcos Napolitano e a equipe é composta por Mariana Villaça e eu.
Mariana é especialista em Cuba e América Latina. Quem se interessar, vale a pena ler seus artigos.

www.geocities.com/altafidelidade

Radamés Gtattali. Um site destinado à vida e obra (erudita) dessa grande maestro da música popular. Concebido por Roberto Gnattali. Trabalhei no projeto e, com o Roberto, fizemos pesquisa e texto

www.radamesgnattali.com.br

Chiquinha Gonzaga. Não tenho participação direta neste. Só afetiva. O curador é Wandrei Braga e o site é simplesmente o melhor e mais completo que existe sobre a vida e a obra da artista.

www.chiquinhagonzaga.com



Desde que o samba é samba

Revista Brasileira de História

Print ISSN 0102-0188

Rev. bras. Hist. vol.20 n.39 São Paulo 2000

doi: 10.1590/S0102-01882000000100007

Desde que o samba é samba: a questão das origens no debate historiográfico sobre a música popular brasileira

Marcos Napolitano
Universidade de São Paulo

Maria Clara Wasserman
Mestre em História na UFPR

RESUMO
Este artigo, na linha de um ensaio bibliográfico, procura sistematizar o debate historiográfico e para-historiográfico que tem por objeto a discussão sobreas “origens da música popular brasileira”. Neste sentido, procuramos examinar, criticamente, as bases argumentativas e as principais conclusões de duas tendências básicas: a) a tendência historiográfica que trabalha com o paradigma das origens como um lugar , situado no tempo e no espaço, a ser determinado pela pesquisa histórica; b) a tendência, mais atuante a partir do meio acadêmico, que coloca sob suspeita a própria questão das origens, com um lugar determinável, procurando analisar historicamente a dinâmica social e ideológica que os discursos de origem podem revelar.
Palavras chave: Música Popular Brasileira; Historiografia; Samba.

ABSTRACT
This article analyzes the historiographical debate about the issue of “origins” in the brazilian popular music. So, we try to highlight the agumentative basis and the most important asserts of the two main historiographic currents of this controversy: a) the current that affirms the paradigm of origins, as a locus, verifiable in terms of time and space, to be determined by the historic research; b) the current, most active in the academic institutions, whose attempts to establish a critical scope about the issue of origins itself and focusing the social and ideological aspects of the discourses that affirms an “outset” of history, by its deconstruction.
Key-words: Brazilian Popular Music; Historiography; Samba.

domingo, 10 de junho de 2007

Jaca





JACA ((JÁ) CÁ)

Já cai a jaca,
cai já cá...
Jacaré! Jacaré!
Jaca... a ré?
Ué!
Jacarandá ou não dá?
Ah, sei lá!
Juca viu a jaca.
- Já?!?!

Asdrúbal de Campos